
As redes sociais estão não só a mudar o que fazemos, mas também quem somos.
Usamos a tecnologia para nos definir, compartilhamos pensamentos e sentimentos à medida que eles acontecem, e chegamos a criar experiências para termos o que partilhar, como se acreditássemos que estar sempre ligados nos fará sentir menos sós. A tal da solidão acompanhada.
Achamos que somos mais mulheres porque tentamos copiar os passos de influencers aparentemente perfeitas, porque temos infinitos seguidores, porque temos mais curvas ou menos curvas, porque os elogios virtuais e os “gostos” que vamos recebendo na conta de Instagram nos fazem ( achamos nós) ser mais felizes.
Achamos que somos mais homens porque seguimos e somos seguidos por mais mulheres, colocamos gostos e comentários infinitos nas melhores poses de bikini como se estes funcionassem como uma espécie de aprovação social e uma parte fundamental para afirmar a nossa masculinidade porque isso nos faz sentir por dentro ” mais homens!”.
Em causa está não só a insatisfação pessoal com o tipo de suporte que se tem a nível social, mas também as iterações muitas vezes superficiais que mantemos diariamente, ainda que estejamos rodeados de pessoas.
Nas redes sociais é fácil mostrarmos apenas o que queremos, uma versão optimizada de quem somos, o que, em última análise, impossibilita a criação de relações autênticas.
Muitas vezes esquecemos o facto de que uma relação, seja de que tipo for, só é verdadeira se acedermos à pessoa num todo, caso contrario, actualmente, corremos o risco de viver a vida em permanente modo personagem.
Sentimo-nos muito mais sozinhos quando transmitimos essa falsa felicidade. Hoje em dia, o facto de sermos inseguros nas nossas relações e ansiosos perante o conceito de intimidade faz com que procuremos na tecnologia formas de estar em relações e, ao mesmo tempo, formas de nos proteger dessas mesmas relações. O problema da intimidade digital é que ela é incompleta.
“Os laços que formamos através da Internet não são, no final, os laços que nos unem”.









